A Prairie Home Companion - O Canto de Cisne de Robert Altman
Robert Altman é um Senhor e por isso merece todo o meu respeito.
Este filme, provavelmente a última obra da sua carreira, tendo em conta o seu debilitado estado de saúde, faz-me pensar que os grandes realizadores estão a desaparecer. Paul Thomas Anderson ajudou-o durante a rodagem, caso Robert Altman não vivesse para acabar o filme, o que significa que também tem bom gosto, porque admiro o senhor Anderson e acho que o filme ficaria em boas mãos, caso algo de mau acontecesse.
Mas agora falando de coisas alegres....este é provavelmente dos filmes que me deu mais gozo ver nos últimos tempos.
Inspirado num popular programa de rádio com o mesmo nome de Garrison Keillor, o filme recria o ambiente vivido na preparação para o último programa em directo, onde todos os personagens estão verdadeiramente à "beira de um ataque de nervos". O elenco inclui o próprio Garrison Keillor, Meryl Streep, Lily Tomlin, Kevin Kline, John C. Reilly, Woody Harrelson, Lindsay Lohan, Tommy Lee Jones, todos em estado de graça. As sequências musicais com os vários actores a cantarem músicas folk/gospel/country, são absolutamente deliciosas, com destaque para os diálogos entre John C. Reilly e Woody Harrelson e o fantástico comercial à fita adesiva no intervalo entre 2 canções, feito por Garrison Keillor.
Kevin Kline está fantástico no papel de sedutor trapalhão, papel que tão bem lhe acenta e Meryl Streep está bem como sempre, revelando os seus dotes como cantora, tendo sido uma agradável surpresa ( há alguma coisa que ela faça mal?). De resto acho que nem vale a pena continuar a falar sobre este filme, porque iria tornar-me repetitivo ( aquilo está muito bem, aqueloutro também), por isso só digo isto: recomenda-se.
Robert Altman, se este for o seu último filme descanse em paz, porque acabou em beleza...
"A Senhora da Água" ou "Ó mãe está uma narfa a nadar na piscina do condomínio"
Quando criei este blog, uma das primeiras coisas que pensei foi: tenho de escrever sobre o "Lady in the Water", não porque tenha gostado do filme, mas sim porque faz parte de um dos meus ódios de estimação. Vi este filme em antestreia, o que podem pensar: "viu à borla não tem muito que se queixar", mas mesmo assim, não gosto de perder o meu tempo com filmes desinteressantes e desconexos.
A permissa deste filme, supostamente um "conto de embalar" criado pelo senhor Shymalan para as suas filhas, provavelmente resultou no corte de relação das filhas com o seu progenitor. Isto porque já não me lembrava de ver tal "lixo cinematográfico" e ainda para mais envolvido em embalagem de realizador sobre-valorizado pela crítica e público.
As histórias contadas por Shyamalan têm sempre um pouco de fantástico, normalmente revelado na 2ª parte do filme, como aconteceu no "Sexto Sentido", "Unbreakable", "Signs" e "The Village". No caso deste "Lady in the Water", Shyamalan decidiu optar por uma história contada em tom de fábula, introduzindo o elemento fantástico desde o início . Claro que é fantástico, aparece uma ninfa numa piscina (coisa normal hoje em dia) e ainda para mais diz que vem do Mundo Azul (ou seja da piscina do condomínio) e que procura o convívio dos humanos para ser libertada e devolvida ao seu Mundo. Rapidamente todos os personagens sentem necessidade de proteger tal criatura, tropeçando em incongruências de argumento escondidas sob a permissa do: "é uma fábula, não podes esperar grande realismo". Meus amigos vamos lá ver uma coisa, não tenho nada contra fábulas, desde que sejam bem contadas...
Agora percebo porque a Disney recusou fazer este filme e Shyamalan teve que rumar à Warner Bros, onde encontrou liberdade criativa total para este projecto. Como resultado temos um Shyamalan com um papel de destaque no filme, personagem esse que vai despoletar acontecimentos futuros através de um livro que está a escrever. Quando o ego de um realizador se sobrepõe a um filme, acho que está o "caldo entornado". O filme é um desfile de incongruências, personagens que não despertam o minímo interesse e simpatia, chegando mesmo a ser irritantes. E o que é aquilo do menino a ler a mensagem escondida na caixa dos cereais? "Toni, toma lá o Chocapic e cala-te!
E o que mais me irrita é considerarem o homem um génio, não tendo oferecido nada aos espectadores que indique tal estatuto. Tudo bem, admito que o "Sexto Sentido" foi um filme surpreendente e que marcou pontos no ano de estreia, mas isso não faz um grande realizador. O senhor vai ter que estar mais atento às caixas de cereais para obter inspiração para projectos futuros, senão temo que o futuro dele seja negro....
Boas,Apesar de já ter criado o meu blog à algumas semanas, ainda não tinha tido oportunidade de escrever pelo menos um texto de introdução. Confesso que nunca fui grande adepto de blogs, mas as pessoas vão mudando de ideias ao longo da vida. Decidi criar este espaço para falar sobre cinema, que é a minha grande paixão. Devem estar a pensar: bad review, aposto que é só para dizer mal, como há muitos amigos meus que dizem, "ó Nuno tu nunca gostas dos filmes, és mesmo esquisito!" Diria antes que não sou esquisito, sou exigente, não é qualquer coisa que me "arranca" uma crítica positiva.Não sou nenhum crítico de cinema, por isso não esperem grandes divagações sobre os filmes, mas isso até pode ser bom, porque já sabem que não vão ler nada pseudo-intelectual, coisa que me "mexe um bocado com os nervos", porque é coisa que não falta em alguns fóruns de cinema portugueses. As críticas de algumas pessoas até me dão vontade de chorar, mas normalmente faz o efeito contrário, rio-me e partilho essa informação com os amigos... mas isso irei explicar num post futuro. Até lá, "always watch good moves"